Começo pelo mote que hoje me deram sobre o Absa Cape Epic: - Concluir o Absa Cape Epic é 99% mental e 1% psicológico.
Isto porque a etapa de hoje tinha um gráfico bem fácil e embora tivesse 125 kms só era com 1.900 mts de acumulado de subida.
Mas claro que no terreno a realidade faz mudar qualquer gráfico de altimetria.
As palavras de Christoph Sauser (atleta do TEAM SONGO -Líder da Prova) reproduzem o que foi a etapa de hoje - "Foi de certeza a etapa mais dura que já fiz no ABSA CAPE EPIC."
Karl Platt (atleta do TEAM BULLS e 4 vezes vencedor do ABSA CAPE EPIC) escreveu no seu facebook que: " Dá a esta etapa a medalha de ouro ao dia mais estupido de BTT que já fez, e dá os parabéns a todos os amadores que conseguiram terminar a etapa."
A etapa conta-se de forma rápida: 10 kms iniciais muito rápidos, nós fizemos estes Kms com média de 34km/h. E depois disto começou o martírio.
Primeira subida do dia e lá voltamos ao muita pedra e a pé e isto até ao Km 20.
Depois até ao Km 77 tudo se resume a kms e kms de areia e pedra, e só depois disto é que foi possível fazer BTT.
Daqui até ao Km 125 foi um constante de subidas e descidas até ao final em Worcester.
E assim se fazia a história de 125 kms de uma mistura de BTT, praia e pedreira.
Parece curto o relato para um dia tão longo mas a verdade é que foi um dia sem nada de interessante.
Deixo no final as classificações dos Portugueses que venceram este desafio.
Aventura-Gislotica-Rocky Mountain - 75º Homens - 106º da Geral Barcelos-Portugal - 99º Homens - 150º da Geral MOVEFREE - 138º Homens - 225º da Geral Mountain Bike BH - 20º Mistos - 289º da Geral Brasil Soul - 117º Masters - 399º da Geral
E amanhã temos novo Contra Relógio. Vão ser 29 Kms com cerca de 800 mts de acumulado de subida.
A 1ª Etapa do Absa Cape Epic já está concluída para as equipas portuguesas em prova
O dia de hoje era simples e tinha apenas 89 kms. Nada mau para quem ainda vai ter pela frente etapas com 120 e mais de 140 kms.
Mas o prato principal de hoje era, apenas, 2000 metros de acumulado de subida em 55 kms. Nada mau para quem já tenha subida 1.300 mts ao 34 kms.
O dia começou com as partidas com um delay de 10 minutos entre grupos, uma vez que era preciso evitar o excesso de tráfego nas zona de singletrack. Que foram muitos e bons.
O começo era plano a permitir um bom aquecimento e aos 10 kms começa a primeira subida. Ups afinal os 1.300 de acumulado foram apenas em 24 kms.
Depois seguiram-se os singletracks, técnicos, muita curva, muita pedra e foi um bom dia para colocar à prova as vantagens de ter um suspensão total e ainda por cima a Specialized Epic S-Works.
Quem também teve trabalho extra foram os travões Shimano XTR que muitas vezes foram obrigados a parar no limite o nosso andamento. E hoje consegui não cair.
Mas isto aqui é tudo tão espectacular que até apetece cair pois de certeza que as quedas serão um espectáculo também.
Mais subidas ao longo do caminho, mais descidas técnicas. E quando o termómetro marcava 37º lá estávamos nós a fazer a ultima subida do dia, o 26x36 a funcionar em pleno.
Mais um descidão técnico com muita pedra e com um penhasco do lado esquerdo, nada bom para quem cair para o lado.
Outro dos desafios foram as subidas onde toda gente teve de desmontar, mesmo impossíveis - pelo menos para mim.
O final ia ser bastante mias rápido uma vez que nos 30 kms finais só subimos 200 metros. Também já merecíamos. E lá veio o Diogo a aguentar enquanto o meu joelho esquerdo voltava a dar sinais de que algo não ficou bem resolvido na lesão do ano passado.
E agora venham as 6 etapas que ainda faltam.
CLASSIFICAÇÕES DOS PORTUGUESES Giant-Pacto-DS - 33º Homens - 37º da Geral - Acho que o Leão já partiu o Roberto todo Aventura-Gislotica-Rocky Mountain - 84º Homens - 128º da Geral Barcelos-Portugal - 104º Homens - 157º da Geral MOVEFREE - 148º Homens - 249º da Geral Mountain Bike BH - 17º Mistos - 261º da Geral Brasil Soul - Segue em prova embora não tenha classificação - ninguém pára o Tandem do Mário Roma e do Belli Adauto.
Amanhã vai ser mais soft - 104 kms com 2300 mts de acumulado
Bem cedo começou o nosso dia para um pequeno almoço às 5h30m.
O arranque do autocarro que nos ia levar até à zona de partida do prólogo arrancava às 7h30m, não sem antes termos carregado os nossos "pequenos" sacos.
O arranque do prólogo foi dado muito cedo dentro do parque de "Tokay Forest", mais uma das muitas reservas naturais da zona de Western Cape.
O prólogo, em regime de contra-relógio, ponha todas as 600 equipas a arrancar em intervalos de 30 segundos.
O arranque dado em relva no meio de um pequeno estádio tinha mais de 3.000 pessoas a assistirem, ao longo do traçado de quase 28 kms e com cerca de 700 mts de acumulado de subida.
As duplas portuguesas foram "entrando ao serviço" ao longo da manhã, pela ordem de entrada - Barcelos- Portugal; MOVEFREE; Aventura Gislotica, Giant - Pacto - DS do Luís Leão e Roberto Heras.
Todas concluíram o prólogo embora em classificações bem distintas.
Giant-Pacto-DS - 19º da geral e da categoria Aventura Gislotica - 78º da categoria 101º da Geral Barcelos Portugal - 97º da categoria 137º da Geral MoveFree - 182º da Categoria 283º da Geral
O prólogo descreve-se muito facilmente em duas palavras "Muito bom".
Foram 27 kms de puro BTT - subidas duras, descidas alucinantes e rápidas e mais de 10km de singletracks com tudo, pedra; areia; raízes; drops; pontes de madeira, pedra escondida, e zonas muito técnicas a subir a descer.
Acho que em 27 kms conseguiram condensar o que se pretende do BTT e o que nos vai esperar nos próximos 7 dias.
De salientar que o calor aqui é muito e hidratar é palavra de ordem. Hoje só tivemos 33º Cº. O que não é mau para quem andou a treinar no Inverno.
O que melhor me lembro são das pedras escondidas que me conseguiram deitar ao chão duas vezes e deixaram uma grande mossa no polar - por falar nisso tenho de ir ver se é possível trocar por um que não parta.
O Diogo, com a sua paciência, lá me perguntou se eu queria ir mais devagar, ao que eu respondi que não que queria era chegar ao fim porque já estava farto de cair.
Mas é claro hoje foi só o prólogo agora falta tudo o resto e o importante é chegar ao fim.
Palavra de muita força para o nosso Português Mário Roma que está a fazer um grande desafio: o Mário que reside no Brasil e é um especialista neste tipo de provas este ano decidiu elevar a fasquia, e em vez de vir com a sua companheira de aventura - Adriana Nascimento - decidiu atacar om os trilhos do Cabo em Tandem na companhia do Belli Adauto. Andar de tandem não é fácil e mais difícil se torna quando o nosso parceiro é invisual como é o caso do Belli Adauto.
Se o Mário é louco? Isso já sabíamos! Mas o que mais impressiona é a confiança que o Belli tem no Mário. Como o próprio Belli nos disse: "Eu tenho que confiar mais nele de que a própria mulher. Porque ela vê o que ele anda fazendo"
E hoje é tudo. Amanhã com sorte conto-vos as histórias da primeira etapa que começa e termina em Saronsberg Wine Estate. Vão ser 89 kms com cerca de 2.000mts de acumulado. E os últimos 30km são planos
E toda a parefernália de "material" que os participantes do ABSA CAPE EPIC devem ter consigo diariamente para que tudo corra de feição. Sobre esse material falaremos mais para a frente - se o tempo nos deixar.
O dia de hoje começou cedo com um pequeno almoço ao melhor estilo ao não faltaram uns valentes "croissants" e anchovas isotónicas.
Depois passagem pelo "Race Register" para recolher frontais, dorsais, cartões e free pass para refeições e mais uns quantos autocolantes para colocar na Specialized Epic S-Works que nos vai servir de montada durante os próximos 8 dias.
Mudança de espaço e recolha de sacos de transporte, 1 saco é tudo o que teremos acesso durante as etapas, é preciso gerir bem o que levar. Saco e mais uma quantidae de coisas que podem vir a fazer falta - tampões de ouvidos, gel de recuperação muscular, creme contra assaduras...- Acho que no meio de tanta oferta continua a faltar o Kit de pernas.
E ainda tiramos uma foto com o Kevin Vermaak. - Porque ele pediu muito!
Aproveitamos e demos uma volta na roda gigante do Water Front (tipo London Eye mas mais pequeno).
Passar no hotel apanhar as bikes e fazer o ultimo treino antes da partida de amanhã. Fomos até Campus Bay e ainda demos uns valentes mergulhos.
De seguida almoço cheio de "hidratos muito complexos" - Eu pelo menos nunca tinha comido um bolo de chocolate tão complexo, tinha pelo menos 3 camadas de chocolates diferentes.
Volta ao Hotel Commodore e tempo para fazer o saco - tanta coisa e tanta falta de espaço - e preparar as bikes para o prólogo.
Já deu para perceber que o novo XTR funciona muito bem e a passagem de mudanças é suave e rápida. Quanto aos travões até ver nada a declarar com travagem forte e precisa.
Vejam como fica bonito o frontal montado bem perto das manetes de travão do novo XTR.
E agora tempo de voltar à azáfama de entregar a mala das bikes e a mala que não queremos ver até dia 3 de Abril.
Relembro ainda as marcas que nos ajudaram a vir até este lado mundo.
MOVEFREE - Representante da Specialized em Torres Vedras, Mafra, Dolce Vita e ... CARBBOOM! Europe - Nutrição e Suplementação desportiva COFIDES Equipamentos - Equipamentos Desportivos, - é o nosso grande Alfaiate XTR - Sociedade Comercial do Vouga - O que dizer desta marca de transmissões e travões. SNV - Componentes em CNC - material leve e que não compromete. SPECIALIZED - as Epic S-Works são obra destes senhores. MAIA FITNESS - Meses de treino ao ritmo que o Pedro Maia nos pediu. BIKE MAGAZINE - O local onde vão poder ver diariamente as nossas crónicas.
Estimados já estamos em Cape Town. Hoje o dia foi longo e depois de um voo para Londres e de outro para Cape Town, tudo correu de feição e conseguimos ter a nossa bagagem toda à nossa chegada.
Deslocação rápida até ao hotel Commodore, e tempo para montar as bikes. Já estão montadas e andar na perfeição. Agora só falta montar as pernas aos atletas.
Deslocação até ao Water Front e encontro com os restantes portugueses. Nada a declarar todos impecáveis e com um espírito de quem vai vencer cada uma das aventuras destes 700 kms como se não houvesse amanhã.
Mais uma paragem desta vez no Media Center e acreditação como profissionais da imprensa. E assim estaremos durante os próximos 9 dias. Tudo para vos fazer chegar as informações de mais esta aventura.
Este ano o Cape Epic vai ter 8 dias, 707 kms e mais de 14500 mts de acumulado, e promete ser duro, mesmo muito duro. Mas vamos ver como nos saímos.
Amanhã será dia de chek-in na competição, preparar o saco e deixar tudo afinado para a primeira pedalada de Domingo. Nós arrancamos por volta das 10h36m ou seja 8h36m de Portugal.
Amanhã este espaço vai acolher os 1200 participantes nesta prova épica.
Lá fui até Leiria fazer a belíssima Maratona do Centro. Digo fui porque o André acabou por não poder alinhar nesta aventura.
Esta Maratona tem para mim um gosto especial porque no ano de 2008 antecedeu a nossa partida para o CAPE EPIC e foi a prova onde estreamos com distinção os novos equipamentos do TEAM M&M. E além disso viemos com a barriga cheia de singletracks.
Como tal este ano não podia faltar a este evento organizado pela AIRBIKE.
A caravana arrancou cedo e lá fomos, eu o Diogo "Canhão" Vieira e o grande "Pancadas" em busca dos trilhos da Serra D'Aire e Candeeiros.
Esta prova ia servir também no meu caso para perceber duas coisas: 1. Como é que vai ser fazer o Geo-Raid de S. Pedro do Sul com o Nitros - (o André vais estar em "afazeres" pessoais)
2. Como é que se faz uma maratona depois de se pedalar 190 km no dia anterior - só para perceber como vai ser o 2º dia do Geo-Raid - este ano foi a primeira vez que fiz tal coisa ao meu corpo.
O primeiro ponto foi um espectáculo e já conto.
Quanto ao segundo, confesso que estava mesmo apreensivo pois quem me viu no final do dia anterior, em que aos 160 km quase que "morri" para depois ser salvo por uma lata de coca-cola e conseguir chegar a casa como se nada tivesse acontecido, mas lá está quem viu isto diria que eu não tinha a mínima hipótese de fazer a maratona do dia seguinte.
Estávamos todos errados consegui fazer a maratona e com uma média de mais de 17 km/h e com um furo que nos roubou mais de 15 minutos e não fosse este furo íamos para mais de 18 km/h de média. Nada mal. Acho eu.
Quanto ao primeiro ponto cá vai. O Nitros - Epic Rider em 2007 está sempre à espera de uma boa oportunidade para sofrer em cima da bicicleta. E quando o André disse que não podia estar no Geo Raid, pensei com quem é que gostava esta experiência e com o "Canhão" ocupado, com a sua dupla DCVBTT e com o projecto TRANSGERMANY, lembrei-me do NITROS com quem nunca tinha pedalado mas com quem tenho trocado experiências.
Quando o convidei nem hesitou a resposta foi do género - " S. Pedro do Sul... Levar dois empenos seguidos...Bora lá!!"
E como tal tínhamos que pelo menos fazer uma prova juntos antes do GEO RAID e decidimos que ia ser a Maratona do Centro. O Nitros chegou com a sua matilha na carrinha do clube e de lá de dentro saem uma força de comandos ao estilo A-TEAM (ou não fosse a carrinha um belo "furgon").
Seguimos para a zona de partida e lá lhe contei o que tinha feito no dia anterior e como tal ele não podia puxar por mim. O melhor era ter estado calado bastou sairmos do alcatrão para o Nitros mostrar os efeitos dos treinos com o Tiago Aragão e assim que o terreno inclinou um pouco foi vê-lo a meter "talega" e arrancar com vontade de me deixar ali pregado. Mas com uma dor de pernas daquelas lá foi obrigado a seguir no seu passo para lhe mostrar os benefícios de treinar com o Pedro Maia.
E lá fomos galgando entre as curtas subidas com muita pedra e as descidas técnicas e dos singletraks espectaculares que a AIRBIKE tinha preparado para receber os cerca de 600 BTTistas de serviço.
Tenho de colocar aqui um parênteses e falar da espectacular aldeia de PIAS DO URSO ao melhor estilo aldeia de xisto. Bela imagem
Infelizmente perto do Km 45 numa viragem de estradão para mato fico com um pau preso ao pneu e o rasgão fui inevitável. Como estavamos a treinar em dupla foi tempo de utilizar os fantásticos tacos para tubeless do Nitros e a não menos fantástica cola tudo que colocou o pneu quase novo. E depois lá fomos outra vez à nossa vida por que isto de estar parado no meio do mato não tem piada nenhuma, lá encontramos o nosso ritmo outra vez e seguimos em direcção do final para uma enorme descida toda ela em calhau com uma viragem à esquerda para uma subida das boas e depois o momento do dia.
Quase 2 Km de singletrack entre pedra e raízes, curvas e contra-curvas. Entretanto a Lefty do Nitros lembrou-se de perder o ar que tinha e acabou sem curso e com o frontal a bater na roda da frente.
A Epic S-works essa esteve à altura e nunca fugiu sempre que teve que negociar uma pedra por falta de jeito do ciclista, quer fosse a subir ou descer. É uma daquelas máquinas que se aponta para um sitio e ela vai para lá seja a subir, a descer, liso ou muito técnico. É uma bicicleta que me deixa sempre impressionado cada vez que saio com ela.
No final tempo para ficar à conversa com os do costume, tempo para conhecer o homem que é o responsável pelas "minhas pedaladas" que lá acedeu a tirar uma foto comigo e com o Ricardo Melo que teve como ultima aventura a vitória nas 24h de Coruche.
Para já é só que já vai longo
Agora só falta eu e o Nitros afinarmos alguns pormenores e testar uns km mais longos
Nos dias de hoje existem cada vez mais maratonas e provas de BTT de longa distância onde colocamos à prova as nossas capacidades físicas e psicológicas. Mas a verdade é que pelos vistos as provas de 100 km começam a não ser suficientes para que os Bikers nacionais testem os seus limites, e começamos à procura de mais Km e de preferência em mais do que um dia.
Hoje já começamos a ver em Portugal provas com classificação e com mais kilómetros do que os típicos 100, como é o caso do SRP160, onde todos os participantes subiram a fasquia dos seus limites.
No outro extremo das provas de longa distância estão as tão afamadas provas por etapas, onde em Portugal a TRANSPORTUGAL GARMIN foi pioneira no inicio com 1.200 km em 11 dias e agora num novo formato de 1.000km em 8 dias, mas onde já aparecem outras como o G200 e a Via Nova Race a obrigarem a mais que um dia de esforço. Em Portugal o fenómeno alarga-se às travessias de cariz lúdico e a Travessia de Portugal, o TransAlgarve, a Travessia das Montanhas e a Rota das Aldeias Históricas, são viagens recreativas onde ao longo de vários dias vamos colocando a nossa força física e perseverança à prova.
Também pelo mundo fora as provas por etapas, também chamadas de provas épicas, vão tomando um papel cada vez mais importante e não é estranho ver-se os melhores atletas do mundo a competirem pelos primeiros lugares de provas como o Cape Epic, Trans Rockies, TransAlp, MTB Challenge, La Ruta de los Conquistadores, Crocodile Trophy. Recordo as vitórias do Thomas Friscknechkt na La Ruta, do Cristoph Sauser no Cape Epic e do Team Bulls no TransAlp e no Cape Epic no mesmo ano. Mas sei, por experiencia própria, que mais de metade dos participantes nestes eventos tem como principal objectivo completar a totalidade das etapas no menor período de tempo possível, sabendo que nunca terão possibilidade de ganhar a prova.
Neste contexto de desafios cada vez mais duros surgem também em Portugal cada vez mais entusiastas destas provas e não é de estranhar ver atletas nacionais a solo ou em dupla a fazerem boas prestações nestes eventos, relembro as classificações da dupla da Motovedras – Ricardo Melo/Marcelino, no TransAlp e do Team Amarante- João Marinho e José Silva na mesma prova. Os excelentes resultados das duplas portuguesas no Cape Epic de 2008 com equipas onde os atletas Nuno Machado e André Malha, Rui Pancadares e David Ventura, João Marinho e José Silva, Pedro Capela e António Bendito, concluíram o Cape Epic mais duro de sempre.
Mas a verdade é que seja para competir por um lugar importante na tabela classificativa, ou apenas para ganhar mais uma experiencia única no mundo do BTT, o resultado final não depende só da prestação que fazemos durante os dias em que a prova se desenrola mas está totalmente ligado a toda a preparação que fazemos nos largos meses que antecedem a primeira pedalada a contar para a classificação final.
E essa é a tarefa a que nos propomos quer neste, quer em artigos próximos, é conseguir passar a experiência de alguns dos atletas nacionais que optaram pelas Provas Épicas como forma de estar no BTT, para que outros possam desde já começar a preparar os eventos onde vão participar.
Num guia desta natureza penso que a primeira grande pergunta que devemos fazer é sem dúvida:
“A QUE PROVA QUERO IR?”
A resposta que dermos a esta pergunta irá condicionar todos os temas que podemos vir a falar, como o treino, a nutrição, o parceiro, a bicicleta, o material, o equipamento. A verdade é que a prova que escolhermos será de facto o motor para todas as tomadas de decisão que faremos.
Vejamos. Será igual treinar para uma prova onde se anda em plano durante centenas de Km ou para uma em que por dia subimos por vezes mais de 20 km seguidos e depois de descermos voltamos a subir mais 20 km. Será igual preparar uma prova em Abril na África do Sul ou uma prova no Canadá em Setembro.
Assim e com o intuito de fazer da nossa prova uma experiência válida, damos algumas dicas e aspectos a ter em conta para a escolha da prova a efectuar:
- Ter em atenção o período de abertura de inscrições para as provas que quase sempre começam com nove meses de antecedência.
- Definir o período do ano queremos fazer a prova e compreender o clima da zona durante esse período. Ex.: As provas que durante o nosso inverno se desenrolam no Hemisfério Sul podem ser violentas a nível de temperatura. Como é o caso do Cape Epic que ocorre no final do Verão na África do Sul e onde as temperaturas podem chegar facilmente aos 40ºC quando em Portugal estamos no final do Inverno e com o termómetro a oscilar entre os 15ºC e os 20ºC.
- Ter em atenção o facto de algumas das provas terem rapidamente as inscrições esgotadas
- Perceber em que terreno somos mais fortes (subida; singletrack; a rolar) para definirmos o tipo de prova a que queremos apontar. Ex.: Se não gostarmos de Singletracks talvez o Transrockies não seja a prova mais indicada.
- Ter em atenção o nível de custos que cada prova envolve por questões de deslocação.
- Ter em conta o número de dias disponíveis para efectuar a prova
- A adaptação às provas em que as dormidas são feitas em acampamento
DICA DE NUNO MACHADO – Epic Rider – TEAM M&M
“O conselho que dou a quem se quer iniciar neste tipo de provas é que faça como primeira prova o TRANSPORTUGAL GARMIN pelo facto de ser no nosso país logo perto de casa e com um custo de deslocação baixo, com o conforto de terá as dormidas todas em Hotel, o número menor de participantes faz com que cada atleta tenha um nome e não um número e o facto de se processar no nosso clima ajuda muito em termos de adaptação e a orientação por GPS torna-a numa prova única em termos mundias.”
Outro ponto de grande relevância nas provas épicas é o facto de grande parte delas serem feitas em pares e com regras muito rígidas sobre as distâncias, em termos de tempo, entre os dois elementos da equipa. E isto leva-nos à escolha seguinte:
“COM QUEM DEVO FAZER EQUIPA?”
Ter um parceiro ou ser parceiro!
O ponto fulcral para a formação de uma equipa e para o sucesso da mesma é a CONFIANÇA. Os elementos da equipa têm que ter plena certeza que os dois juntos vão conseguir o principal objectivo a que se vão propor. – Concluir a prova. Todos os outros objectivos classificativos dependem directamente da conclusão da prova. E como tal é imprescindível que cada um dos parceiros sinta que o outro o pode ajudar a atingir os objectivos. Esta situação faz com que os dois parceiros da equipa tenham andamentos o mais idênticos possíveis.
A palavra que me ocorre de seguida é COMUNICAÇÃO. A comunicação entre os parceiros de equipa é de vital importância em todas as fases do processo desde o primeiro treino até ao cortar da linha de meta na última etapa. A comunicação durante a fase de treinos e partindo do principio que os elementos da equipa treinam juntos ou fazem o mesmo esquema de treinos (os esquemas de treinos veremos numa próxima edição), permite-nos conhecer as reacções do nosso parceiro a cada tipo de esforço e de alguma forma permite perceber as reacções do outro através das nossa próprias reacções.
DICA DE JOÃO MARINHO – Epic Rider – TEAM AMARANTE/BIKE ZONE
“Penso que os dois se precisam de conhecer muito bem e estarem preparados para o pior cenário possível, isto é a desistência, caso seja necessário para auxiliar o parceiro. O sentido de humor também é bem-vindo.
Depois de percebermos que a equipa funciona como equipa e não como um “par de ciclistas” este é o momento de definir os OBJECTIVOS e se é verdade que no inicio o TEAM M&M tinha como objectivo acabar o Cape Epic, quase no final da fase de treinos subiram a fasquia e apontaram para as 60 horas, e no meio da prova o Nuno Machado e o André Malha começavam a apontar a um lugar dentro dos 150 na categoria homens.
DICA DE ANDRÉ MALHA – Epic Rider – TEAM M&M
“A definição da equipa e a forma como a equipa se foi desenvolvendo foi para mim o elemento fundamental da conclusão do Cape Epic. É o que define se nos vamos divertir ou passar uns dias de competição horríveis. Outro conselho que dou aos elementos da equipa é que sejam condescendentes com os parceiros, após muitas horas em esforço ao sol o cérebro não é tão clarividente como em situações normais, e isso pode dificultar alguma tomada de decisão. É normal verem-se equipas a discutir por situações patéticas e que não ajudam ao atingir de objectivos. É importante que o elemento menos cansado tenha capacidade de manter a equipa a funcionar. São tantos dias que se eu hoje estou menos forte de certeza que noutro dia será o meu parceiro.”
“E agora que já defini a prova e escolhi um parceiro, que material devo preparar para cortar a linha de chegada?”
Aqui coloca-se um grande ponto, uma vez que a situação do material vai desde a bicicleta, passa pelos sapatos e equipamentos, passa pelo material de apoio ao campismo e termina nas peças suplentes que se podem levar.
Começo pela eterna questão da bicicleta. Rígida ou Suspensão Total?
Nos dias de hoje e quando já sabemos que se podem ganhar provas desta natureza em bicicletas de suspensão total, como foi o caso da vitória de uma Scott Genius na La Ruta e da Cannondale Scalpel no Cape Epic , porque devo levar uma bicicleta em detrimento da outra?
A escolha da bicicleta passa por 3 pontos-chave, Conforto, Peso, Manutenção. Neste momento a evolução das suspensões totais e dos seus sistemas inteligentes ou de bloqueio permitem que a energia da pedalada seja transformada em tracção e não se perca no habitual bombear que sistemas de suspensão menos evoluídos tendem a fazer.
(colocar foto Spark 10)
Assim hoje quando penso numa suspensão total, o que me vem logo à cabeça é o conforto, que é muito importante quando vamos passar muitas horas na bicicleta durante vários dias, claro que também sei que os sistemas de suspensão total tornam uma bicicleta mais pesada, pelo facto de terem mais material, material esse que quase sempre se traduz em mais partes móveis que aumentam a probabilidade de sucederem problemas que podem ser mais complicados de solucionar.
(colocar foto My epic)
Quando no entanto pensamos em quadros rígidos, sabemos com o mesmo nível de material este será sempre mais leve do que uma suspensão total. Dou o exemplo da diferença entre uma Scott Spark 15 e uma Scott Scale 15, onde para o mesmo nível de material temos cerca de 900 grama de peso extra na Suspensão total. E quando se trata de subir e de pedalar durante vários dias 0,9Kg são de facto peso extra que se pode evitar. Por outro lado as rígidas tem uma manutenção mais simples devido à estrutura com menos pontos móveis.
O QUE DIZ O JOÃO MARINHO– Epic Rider – TEAM AMARANTE/BIKE ZONE
“Eu continuo a preferir as rígidas porque continuam a ser as mais leves e as que requerem menos manutenção, pois não há rolamentos nem amortecedores para dar problemas e quando se está numa prova épica estamos sempre longe de casa e nem sempre há possibilidade de levarmos peças suplementos e nem sempre a assistência em prova consegue resolver os problemas.
DICA DE NUNO MACHADO – Epic Rider – TEAM M&M
“Acho que nunca vamos saber se o melhor é o quadro rígido ou a suspensão total, mas o importante é definir o mais cedo possível que bicicleta vamos usar para que a maioria dos treinos seja realizado na bicicleta que nos vai acompanhar na prova. Para nos familiarizarmos com toda a dinâmica da bicicleta e conseguirmos colocar tudo ao nosso gosto.”
Depois de escolhida a bicicleta vem toda a gama de componentes que lhe podemos anexar, como é o caso do selim, do guiador, dos “bar-end”, transmissão, rodas, pneus e etc.
O SELIM
Nas provas épicas é normal que se passe entre 5 a 8 horas por dia junto do selim e o conforto toma um papel muito importante, pois as lesões que podem surgir pela utilização de um mau selim podem tornar a prova muito dura ou até mesmo obrigar ao abandono.
Existem no mercado vários formatos de selim e no TEAM M&M o que utilizamos é o Specialized Phenom SL com abertura no meio, que evita a pressão na zona prostática. Mas a verdade é que cada um deve utilizar o selim em que se sente confortável e não o deve alterar quando a prova se aproximar. O normal é que o tempo de selim seja entre as 50 horas e as 60 horas, por isso as dicas são conforto e habituação.
FOTO(colocar foto de selim SPZ Phenom)
OS PNEUS
Muitas vezes temos discutido este factor, mas parece-me que cada vez mais a escolha de pneus para estes eventos vai para os Tubeless. A verdade é que durante as várias provas por etapas que já realizei apenas furei 1 vez e uma outra rasguei um pneu de lado com uma chapa. E durante todo o Cape Epic de 2008 não ocorreu nenhum furo no TEAM M&M. Quanto aos pneus com câmara-de-ar relembro também o Cape Epic deste ano em que a equipa da Venezuela furou 7 vezes no mesmo dia.
Outro facto importante está relacionado com o facto de hoje facilmente se transformar umas rodas normais em rodas “tubeless ready” através de aplicação de kits como o da DT Swiss ou o da Specialized sem que o custo da transformação seja elevado.
A juntar ao pneu Tubeless deve andar sempre associado um bom liquido vedante “vulgo anti-furo” que deve ser colocado no dia anterior ao inicio da prova.
Outro dos pontos relacionados com os pneus prende-se com a largura e trilho que estes devem ter e mais uma vez estamos num ponto onde não existe consenso. Existe quem circule com pneus 1.95 como foi o caso do Team Amarante/Bike Zone no Cape Epic ao mesmo tempo que a escolha da RBikes Ota foi para uns mais volumosos 2.1.
DICA DE RUI PANCADARES – Epic Rider – TEAM RBIKES OTA
“Para mim o pneu tem de ser Tubeless com vedante e a com uma dimensão acima dos 2.0 para fazerem balão. Este tipo de pneus permite rolar com pressões mais baixas o que faz com que, sendo o pneu o ponto de contacto entre a bicicleta e o terreno, muitas irregularidades do terreno sejam absorvidas pelo pneu tornando as jornadas um pouco mais confortáveis e sem se perder velocidade. Outro truque que costumamos utilizar é a meio da prova 4º ou 5º dia colocar um pouco mais de liquido vedante dentro dos pneus.”
A TRANSMISSÃO
Com tantos em kms em tão pouco tempo e em condições de utilização extremas é muito importante que a transmissão funcione como um relógio, pois se tal não acontece cada dia torna-se um grande martírio. No caso de existir alguma dúvida sobre a performance de um determinado componente o melhor é trocá-lo. É também importante que não se façam testes de componentes durante a prova.
FOTO (colocar foto de grupo XTR ou XT)
EXPERIENCIA DE NUNO MACHADO
“No TransPortugal de 2006 tive de trocar a corrente na véspera da partida para Bragança. Pelo que só fiz perto de 5km com ela antes do arranque para a primeira etapa. A partir dos 50 km da primeira etapa comecei a ter problemas com a corrente a saltar entre carretos em especial em secções em que a força era necessária. Tal facto fez com que não completasse a 1ª e a 2ª Etapa da prova. Após muito trabalho mecânico descobrimos que a corrente estava com mais elos do que o necessário. Algo que se podia ter evitado caso a troca fosse feita mais atempadamente.”
Por outro lado aconselhamos que se leve pelo menos uma corrente suplente e alguns links de ligação que nos devem acompanhar durante a etapa.
Outro aspecto importante é o de ser aconselhável fazer uma revisão geral da bicicleta e componentes, com consequente troca de cabos, pastilhas de travões e material de desgaste, revisão de suspensões e amortecedores, desempenar rodas, ver pedais, 2 semanas antes da partida. Depois a bicicleta deve ser usada normalmente e antes da partida devemos voltar a afinar toda a máquina de novo.
Depois é muito importante manter toda a máquina limpa e cuidada durante a prova, isto requer que a bicicleta seja lavada e oleada, nas partes móveis principais, no final de cada etapa.
Entramos agora na última fase de preparação de material e equipamento, a fase em escolhemos a forma como nos vamos vestir, calçar e proteger de alguma queda que possa surgir pelo caminho.
Mais uma vez os pontos mais importantes na escolha destas peças devem ser o máximo de conforto e nunca ensaiar nada durante a prova. E sem nunca esquecer que vamos passar muitas horas com o equipamento colocado.
OS SAPATOS
Este aspecto é fulcral pois é através dos sapatos que vamos transmitir a força aos pedais ao mesmo tempo que grande parte da vibração que chega ao corpo é também absorvida pela zona dos pés. Os sapatos devem ser do tamanho certo e não serem nem demasiado apertados nem muito largos, se necessário recorrer aos meios números. Dentro dos sapatos devem caber umas palmilhas (ajudam no conforto) e se necessário umas cunhas para se corrigir os movimentos laterais do joelho. Aconselhamos os sapatos técnicos de BTT de preferência com sola em carbono, por serem mais rígidos na hora de transmitir força sobre os pedais, mas ao mesmo tempo permitem caminhar por curtos períodos.
O CAPACETE
Esta peça de protecção é obrigatória durante todos os momentos em que estamos em competição e em movimento, é normal que possa ser tirado nas paragens nas zonas de assistência. Este deve respeitar as normas de segurança exigidas por lei e deve ser o mais arejado possível e de preferência com boa área de entrada de ar na zona frontal, para evitar o sobreaquecimento da zona da cabeça.
FOTO (Colocar Foto do Scott Fuga e do Specialized 2D).
A zona interior em esponja deve ser amovível e é importante que durante a prova lavemos esta peça, pois ela absorve a transpiração e com a humidade é uma óptima zona para fungos.
As fitas que prendem o capacete por baixo do queixo devem estar ajustadas, sem estarem demasiado apertadas, por forma a não permitir oscilações do capacete durante a marcha e numa possível queda, mas ao mesmo tempo não criarem desconforto por estarem em contacto permanente com a zona do queixo.
OS EQUIPAMENTOS
Esta é a zona colorida por natureza, onde colocamos os patrocinadores e que devem ser distintivos o suficiente para que rapidamente o nosso parceiro nos distinga no meio do pelotão. Pensem nas distancias que é preciso manter entre parceiros e como pode ser difícil encontra-lo no meio de mais de 1.000 participantes.
DICA DE RUI PANCADARES – Epic Rider – TEAM RBIKES OTA
“Como conselho em termos estéticos, aviso que devem evitar as cores claras pois como o normal é que exista pó, lama, barro, areia nas provas esta fica entranhada nos tecidos durante o dia e não é nada fácil tirar alguma da sujidade quando se lava a roupa à mão num acampamento.”
CALÇÕES
Sejam calções, corsários ou calças mediante as condições climatéricas que vamos ultrapassar é muito importante que sejam confortáveis e devemos encontrar o nosso tamanho certo.
É preciso dar muita atenção á zona de “carneira” e ao atrito que esta pode ou não fazer durante o movimento de pedalada, ter atenção à densidade da esponja e a forma como dispersa a pressão exercida sobre os ilíacos. Importantes também as alças e a forma como roçam ou não nos ombros, para evitar possíveis escaras.
DICA DE ANDRÉ MALHA – Epic Rider – TEAM M&M
“ Eu dou especial importância à escolha dos calções e por vezes é preferível gastar um pouco mais e ter o melhor calção do que hipotecar toda uma época de treinos e um investimento de tempo porque poupamos alguns Euros. Outro aspecto que considero vital é a prevenção de assaduras e nunca é demais utilizar um bom creme protector contra assaduras que pode ser adquirido numa farmácia. Prevenir é uma forma de chegar ao fim de uma prova”
Por vezes e para não ter que se levar mais peças de equipamento os pernitos juntamente com os calções fazem o papel de calças e em qualquer momento podemos voltar a estar de calções.
DICA DE NUNO MACHADO – Epic Rider – TEAM M&M
“Felizmente utilizamos uns calções com Lycra Power que pela forma como assenta nos músculos, provoca alguma compressão que previne a fadiga muscular e algumas cãibras”
JERSEYS
Os jerseys, também designados por camisolas, são também importantes por vários aspectos.
Permitem colocar material ou alimentação nos bolsos colocados atrás.
Devem ser confeccionados de acordo com o clima a que vamos estar sujeitos, preferencialmente devem ter fecho completo para facilitar o arrefecimento do corpo e por se tornarem mais fáceis de despir.
Aconselhamos também a utilização de manguitos uma vez que as provas começam bastante cedo, quando ainda está fresco e ao longo do dia a temperatura vai subindo o que permite que na maioria das provas seja possível rolar em manga curta.
DICA DE ANDRÉ MALHA – Epic Rider – TEAM M&M
“Quando desenvolvemos o nosso equipamento para o Cape Epic foi possível escolher entre várias fibras e foi-nos recomendada a fibra microfresh que permite uma rápida secagem do Jersey e uma excelente respiração do corpo.”
Aconselhamos ainda que se leve um casaco impermeável para alguma situação de chuva que possa surgir no desenrolar da prova.
Outros aspectos a ter em conta são os que se prendem com a escolha das meias e de luvas uma vez que devem estar condicionadas também ao factor climatérico. E pode-se oscilar entre as meias de algodão até às meias impermeáveis e o mesmo acontecendo com as luvas onde se podem encontrar modelos mais frescos até aos modelos mais quentes e até impermeáveis. Nos modelos de luvas podem também encontrar-se modelos que apostam no conforto com inserções de gel na palma da mão. Mas independentemente do tipo de luva o nosso conselho passa pelas luvas com dedos completos, por razões de segurança.
E se eu for uma senhora?
No caso de ser uma senhora a pensar fazer uma prova épica, e lá por fora é bem usual ver mulheres a discutirem até os lugares da frente, todas as dicas são válidas mas gostávamos de acrescentar mais algumas.
Hoje o mercado de artigos de BTT para senhora evolui bastante e é possível encontrar desde quadros com design mais indicado para a fisionomia feminina, até a um sem número de acessórios e componentes com características especiais. Os selins com forma mais adequada aos ilíacos das senhoras, guiadores com diâmetros e dimensões distintas, onde se aplicam punhos mais reduzidos, pois normalmente as mãos femininas são mais pequenas que as dos homens. Por vezes é normal as senhoras utilizarem pedaleiros com alavancas mais curtas para poderem fazer mais rotação. No que diz respeito aos equipamentos a mesma tónica volta a ser verdade com calções e jerseys com cortes específicos para se moldarem melhor ao corpo e se tornarem mais confortáveis. O mesmo sucede nos sapatos que tem forma diferente para maximizar o conforto da utilizadora.
DICAS DE SÓNIA LOPES – 2 vezes participante do TransPortugal – TEAM ORBEA/GOLDNUTRITION
Na grande maioria das provas a forma de pernoita é em regime de acampamento e isso obriga a que se tenha algum material específico para esta situação e para isso deixamos um quadro para com algumas dicas de material a ter sempre à mão e que deve ser acondicionado dentro do saco que normalmente é transportado pela organização e que é o único a que temos acesso durante toda a prova.
Equipamento a ter no acampamento e equipamento suplente
HIGIENE
Material substituição
Ferramenta
Roupa
Stuffs
Pack Banho
Corrente
Camel Bak
T shirts
Luz de cabeça
Protector Solar
Pastilhas travão
Bomba
Casaco
Apito
Baton Cieiro
Amortecedor
Óleo
Calções de banho
Ficha adaptadora
After Sun Creme
Pneus
Alicate multifunções
saco cama
Telemóvel
Escova e pasta dentes
Links de corrente
mini ferramenta
Calças
Repelente insectos
Válvulas Tubeless
bomba Suspensão
Chinelos
Detergente roupa mão
Câmaras de ar
Zip tyes
Toalha de banho
Creme de massagem
Liquido vedante
Bidons
Ténis
Raios
Cleats de sapatos
Em qualquer caso algum do material de substituição pode ser facilmente encontrado nas zonas de assistência das provas, embora possa ser importante levar algum material específico para a nossa bicicleta.
Mas a melhor dica que cada um de nós que já participamos em provas deste tipo e onde todos estamos de acordo, é que o ponto fulcral é ter o máximo de conforto durante o esforço, e é para isso que apontamos todo o nosso material.
E assim ficam algumas dicas para começares a pensar na tua prova épica, em breve vamos falar da melhor forma de te preparares para um evento desta natureza quer em termos de treino quer de nutrição e o que fazer assim que começas a prova.