OBRIGADO
Não me interessa de onde saí, menos importa o local onde cheguei.
Passei por muitos locais, não quero saber que trilhos percorri
Hoje o caminho levou-me onde queria ir, para fazer o que tinha de fazer.
Hoje cheguei à CRUZ DE FERRO.
Obrigado a todos os que hoje estiveram a pedalar comigo, nem que fosse na minha cabeça e no meu coração.
Um abraço e bom caminho
Nuno Machado
TEAM MOVEFREE
Eu pedalo...
...para chegar até ti
quarta-feira, 20 de junho de 2012
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Caminho 2012 - Burgos - Carrion de los Condes
CITY FOLKS
Esta é das que tem história.
Não me recordo mesmo de ter um pneu tão mau, e que mesmo assim aguentasse tanto.
De manhã ainda em Burgos, os 4 furos que tinha não aparentavam estar a perder ar, pelo que decidimos não esperar pela abertura das lojas de bicicletas (que abrem às 10h30m) e pouco depois das 8 horas arrancávamos para o Centro da cidade para apanhar o Matt Mcdermott - Pastor Anglicano na Califórnia, que nos acompanhou nos dois primeiros dias. O Principio do dia é rápido mas é um dia que se pode tornar muito penoso pelos Kms - 90 - e pelo calor numa zona onde as sombras não existem e tudo se passa entre os 750 e os 900 mts de altitude.
Pelo caminho e sem explicação o meu pneu começou a criar novas bolhas, que foram rebentando e foram sendo "selados" pelo liquido anti-furo. No final do dia tinha 9 furos deste tipo. Decidi mudar o pneu.
Durante o dia e a meio da etapa ganhamos um novo membro no grupo - Renato "the Italian"- imaginem como foi hoje o jantar com um português, um espanhol, um italiano e um americano a verem o Europeu de futebol. Espanha e Itália a jogarem o apuramento.
Mais uns kms visitas, a Conventos em ruínas e mais uma Igreja em Castro Jeriz e lá chega a subida que deve ser das mais espectaculares no caminho. Muito sol e muito calor e várias rampas com mais de 10% e zonas de 20%. Mais uma paragem e toca a por mais ar no pneu. Seguir até "Boadilla del Camino" e vemos uma placa a dizer - Albergue/Restaurante.
Lá entramos para comer algo e demos com um local que respirava "boa onda", e ali ficámos cerca de uma hora conversar. Entre os 4 e mais os outros todos que lá estavam e que chegaram depois, o "camino" é mesmo assim gente de todo o mundo. Entre americanos, belgas, coreanos, japoneses a verdade é que ninguém fala a mesma língua mas todos nos entendemos. Onde tentamos explicar a um Italiano e ao mundo porque é que em Portugal e em Málaga existem mais tipos de café que no resto do mundo, incluindo Itália.
Depois seguimos até "Carrion de los Condes" onde me disseram que existia uma loja de bicicletas.
Segui directo para a loja para tentar encontrar um pneu 29' e dei de caras com uma loja de pneus, daquelas "à antiga". Dois empregados à porta a dar marteladas num pneu de tractor a tentar sacar a jante.
Entrei e com pouca esperança perguntei se tinham pneus de BTT roda 29. A resposta foi "venha comigo ver ali no armazém". Lá fomos e vem um pergunta. "Este serve? É o unico pneu de BTT que tenho". E meus amigos juro-vos que até os meus olhos brilharam como uma criança no ToysRus. Tenho um pneu novo.
Amanhã seguimos até León. Com pneu novo.
Um abraço e pedalem muito
Nuno Machado
TEAM MOVEFREE
Eu pedalo...
...até Carrion de los Condes
Esta é das que tem história.
Não me recordo mesmo de ter um pneu tão mau, e que mesmo assim aguentasse tanto.
De manhã ainda em Burgos, os 4 furos que tinha não aparentavam estar a perder ar, pelo que decidimos não esperar pela abertura das lojas de bicicletas (que abrem às 10h30m) e pouco depois das 8 horas arrancávamos para o Centro da cidade para apanhar o Matt Mcdermott - Pastor Anglicano na Califórnia, que nos acompanhou nos dois primeiros dias. O Principio do dia é rápido mas é um dia que se pode tornar muito penoso pelos Kms - 90 - e pelo calor numa zona onde as sombras não existem e tudo se passa entre os 750 e os 900 mts de altitude.
Pelo caminho e sem explicação o meu pneu começou a criar novas bolhas, que foram rebentando e foram sendo "selados" pelo liquido anti-furo. No final do dia tinha 9 furos deste tipo. Decidi mudar o pneu.
Durante o dia e a meio da etapa ganhamos um novo membro no grupo - Renato "the Italian"- imaginem como foi hoje o jantar com um português, um espanhol, um italiano e um americano a verem o Europeu de futebol. Espanha e Itália a jogarem o apuramento.
Mais uns kms visitas, a Conventos em ruínas e mais uma Igreja em Castro Jeriz e lá chega a subida que deve ser das mais espectaculares no caminho. Muito sol e muito calor e várias rampas com mais de 10% e zonas de 20%. Mais uma paragem e toca a por mais ar no pneu. Seguir até "Boadilla del Camino" e vemos uma placa a dizer - Albergue/Restaurante.
Lá entramos para comer algo e demos com um local que respirava "boa onda", e ali ficámos cerca de uma hora conversar. Entre os 4 e mais os outros todos que lá estavam e que chegaram depois, o "camino" é mesmo assim gente de todo o mundo. Entre americanos, belgas, coreanos, japoneses a verdade é que ninguém fala a mesma língua mas todos nos entendemos. Onde tentamos explicar a um Italiano e ao mundo porque é que em Portugal e em Málaga existem mais tipos de café que no resto do mundo, incluindo Itália.
Depois seguimos até "Carrion de los Condes" onde me disseram que existia uma loja de bicicletas.
Segui directo para a loja para tentar encontrar um pneu 29' e dei de caras com uma loja de pneus, daquelas "à antiga". Dois empregados à porta a dar marteladas num pneu de tractor a tentar sacar a jante.
Entrei e com pouca esperança perguntei se tinham pneus de BTT roda 29. A resposta foi "venha comigo ver ali no armazém". Lá fomos e vem um pergunta. "Este serve? É o unico pneu de BTT que tenho". E meus amigos juro-vos que até os meus olhos brilharam como uma criança no ToysRus. Tenho um pneu novo.
Amanhã seguimos até León. Com pneu novo.
Um abraço e pedalem muito
Nuno Machado
TEAM MOVEFREE
Eu pedalo...
...até Carrion de los Condes
domingo, 17 de junho de 2012
Caminho 2012 -Sto Domingo de la Calzada - Burgos
E já cá estamos, já levamos 4 dias e entramos na "meseta".
O meu pneu de trás está completamente morto, não vou dizer a marca, mas cada vez tem mais bolhas parece que está com acne.
De vez em quando rebenta uma e o liquido lá tem de atuar. Mas a verdade é que mesmo assim conseguimos fazer os kms todos sem colocar câmara de ar.
Vamos ver se amanha encontro uma loja em Burgos com pneus 29''.
A etapa de hoje valem bem a pena quanto mais não seja pelos trilhos entre Villafranca de Montes de Oca e S. Juan de Ortega. Mais uma igreja espectacular.
Mais um par de palavras e claro que em Villafranca se ofereceram para trazer-me de carro até Burgos caso o pneu morresse para o BTT. MAs não foi preciso.
E amanhã temos mais.
CARRION DE LOS CONDES espera-nos.
Um abraço e Bom caminho
Nuno Machado
TEAM MOVEFREE
Eu pedalo
O meu pneu de trás está completamente morto, não vou dizer a marca, mas cada vez tem mais bolhas parece que está com acne.
De vez em quando rebenta uma e o liquido lá tem de atuar. Mas a verdade é que mesmo assim conseguimos fazer os kms todos sem colocar câmara de ar.
Vamos ver se amanha encontro uma loja em Burgos com pneus 29''.
A etapa de hoje valem bem a pena quanto mais não seja pelos trilhos entre Villafranca de Montes de Oca e S. Juan de Ortega. Mais uma igreja espectacular.
Mais um par de palavras e claro que em Villafranca se ofereceram para trazer-me de carro até Burgos caso o pneu morresse para o BTT. MAs não foi preciso.
E amanhã temos mais.
CARRION DE LOS CONDES espera-nos.
Um abraço e Bom caminho
Nuno Machado
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sábado, 16 de junho de 2012
Caminho 2012 - Logroño -Sto Domingo de la Calzada
Só nós podemos decidir o caminho
Hoje, e como o pequeno almoço era serviço apenas às 8h, decidimos sair um pouco mais tarde e só começamos a pedalar por volta da 9h.
O dia aparentava ser mais fácil que o de ontem, pelo menos ia ser de certeza mais curto.
Mas o pequeno almoço acabou por fazer das dele e o Pedro acabou por ter uma paragem de digestão. Uma mistura explosiva de alimentos com cansaço acumulado fez logo mossa após a subida que nos deixa com Logroño nas costas.
Ainda bem que só faltavam 40 kms para o final da viagem de hoje.
A etapa tem alguns sítios divertidos e muita zona rolante, mas quando sobe, sobe o suficiente para fazer mossa em quem não aguenta nada no estômago.
Tempo para falar com muita gente de muitas partes do mundo mas apenas com um objectivo, chegar a Santiago com a certeza que descobriu o que procurava.
O Pedro lá vinha, com uma força de vontade incomum e sempre sem vontade de desistir.
Paragem em Najera para almoçar com calma. E após termos saído decidi encher o meu segundo bidon com água. Algo que não faria em condições normais uma vez que só faltavam 20 kms para o nosso destino. Mas mais uma vez alguém nos ajudou.
Após alguns kms o Pedro reparou que tinha deixado os bidons no café onde almoçamos. Valeu-nos o facto de eu ter os dois bidons cheios.
Quando digo que mais uma vez alguém nos ajudou foi porque no primeiro saímos do trilho por cerca de 100mts. Algo raro no caminho de Santiago, onde é quase impossível que alguém se perca. Quando voltamos para trás para voltar ao nosso caminho alguém nos perguntas e tínhamos perdido um NIKE. E na verdade tínhamos. Caso não nos enganássemos no final do dia alguém teria de comprar um par de Ténis. COINCIDÊNCIA!?
Mais uma subida mais um momento de espera e mais tempo para conversar com gente com muitas histórias. Após alguns minutos de conversa a conclusão do dia é que:
Só nós podemos decidir o caminho a seguir para sermos felizes o suficiente para aproveitar a vida.
Seguimos os Ultimos kms e chegamos ao topo que nos deixa ver o final - Sto Domingo de la Calzada.
Que pelo que dizem tem a unica igreja católica do mundo onde habitam animais vivos. Veja aqui porquê
http://www.caminhodesantiago.com/walter/lendas/galos.htm
Amanhã seguimos. Burgos espera por nós.
Um abraço e bom caminho
Nuno Machado
Hoje, e como o pequeno almoço era serviço apenas às 8h, decidimos sair um pouco mais tarde e só começamos a pedalar por volta da 9h.
O dia aparentava ser mais fácil que o de ontem, pelo menos ia ser de certeza mais curto.
Mas o pequeno almoço acabou por fazer das dele e o Pedro acabou por ter uma paragem de digestão. Uma mistura explosiva de alimentos com cansaço acumulado fez logo mossa após a subida que nos deixa com Logroño nas costas.
Ainda bem que só faltavam 40 kms para o final da viagem de hoje.
A etapa tem alguns sítios divertidos e muita zona rolante, mas quando sobe, sobe o suficiente para fazer mossa em quem não aguenta nada no estômago.
Tempo para falar com muita gente de muitas partes do mundo mas apenas com um objectivo, chegar a Santiago com a certeza que descobriu o que procurava.
O Pedro lá vinha, com uma força de vontade incomum e sempre sem vontade de desistir.
Paragem em Najera para almoçar com calma. E após termos saído decidi encher o meu segundo bidon com água. Algo que não faria em condições normais uma vez que só faltavam 20 kms para o nosso destino. Mas mais uma vez alguém nos ajudou.
Após alguns kms o Pedro reparou que tinha deixado os bidons no café onde almoçamos. Valeu-nos o facto de eu ter os dois bidons cheios.
Quando digo que mais uma vez alguém nos ajudou foi porque no primeiro saímos do trilho por cerca de 100mts. Algo raro no caminho de Santiago, onde é quase impossível que alguém se perca. Quando voltamos para trás para voltar ao nosso caminho alguém nos perguntas e tínhamos perdido um NIKE. E na verdade tínhamos. Caso não nos enganássemos no final do dia alguém teria de comprar um par de Ténis. COINCIDÊNCIA!?
Mais uma subida mais um momento de espera e mais tempo para conversar com gente com muitas histórias. Após alguns minutos de conversa a conclusão do dia é que:
Só nós podemos decidir o caminho a seguir para sermos felizes o suficiente para aproveitar a vida.
Seguimos os Ultimos kms e chegamos ao topo que nos deixa ver o final - Sto Domingo de la Calzada.
Que pelo que dizem tem a unica igreja católica do mundo onde habitam animais vivos. Veja aqui porquê
http://www.caminhodesantiago.com/walter/lendas/galos.htm
Amanhã seguimos. Burgos espera por nós.
Um abraço e bom caminho
Nuno Machado
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sexta-feira, 15 de junho de 2012
De Pamplona a Logroño
Para mim a segunda etapa do Caminho de Santiago é de longe das mais complicadas.
Após o rompe perna do primeiro dia, os cerca de 100 kms do segundo dia com mais de 2.000mts de acumulado e a temperatura perto do 30ºC não é o melhor cenário do mundo arrancar de Pamplona em direcção a Logroño.
O dia resume-se de forma fácil o arranque é logo a subir em direcção ao "Perdão", algo muito bom para o pequeno almoço. Quem pensa que acaba a subida e descansa está enganado. Depois das fotos lá vem um descida de muita pedra e com muita atenção ao trilho e às dezena de peregrinos que a estão a descer.
Depois vem uma parte rápida até Puente de La Reina, e a partir daqui é sempre em sobe e desce mais sobe do que desce e com o sol e a dureza dos trilhos, o dia fica bem complicado.
Hoje dou os parabéns ao Pedro que mostrou a diferente entre ter força e ser forte. Ser forte é muito simples é ter alguma força e saber utiliza-la para cumprir objectivos que as pessoas que pensam ter força nunca os conseguiriam atingir.
Ao todo cerca de 11horas perto da bicicleta. Mas nunca ouvi falar em desistir.
Fizemos o dia todo com Matt McDermott da Califórnia que partilhou comigo o peso da mochila do Pedro para que os três chegássemos ao fim e tivéssemos direito a uma boa cerveja no centro de Logroño.
E agora jantar e dormir que amanhã temos mais do mesmo.
Um abraço e bom caminho
P.S. deixo aqui um link para verem a linda etapa de hoje
caminho 2 - Pamplona Logroño
Após o rompe perna do primeiro dia, os cerca de 100 kms do segundo dia com mais de 2.000mts de acumulado e a temperatura perto do 30ºC não é o melhor cenário do mundo arrancar de Pamplona em direcção a Logroño.
O dia resume-se de forma fácil o arranque é logo a subir em direcção ao "Perdão", algo muito bom para o pequeno almoço. Quem pensa que acaba a subida e descansa está enganado. Depois das fotos lá vem um descida de muita pedra e com muita atenção ao trilho e às dezena de peregrinos que a estão a descer.
Depois vem uma parte rápida até Puente de La Reina, e a partir daqui é sempre em sobe e desce mais sobe do que desce e com o sol e a dureza dos trilhos, o dia fica bem complicado.
Hoje dou os parabéns ao Pedro que mostrou a diferente entre ter força e ser forte. Ser forte é muito simples é ter alguma força e saber utiliza-la para cumprir objectivos que as pessoas que pensam ter força nunca os conseguiriam atingir.
Ao todo cerca de 11horas perto da bicicleta. Mas nunca ouvi falar em desistir.
Fizemos o dia todo com Matt McDermott da Califórnia que partilhou comigo o peso da mochila do Pedro para que os três chegássemos ao fim e tivéssemos direito a uma boa cerveja no centro de Logroño.
E agora jantar e dormir que amanhã temos mais do mesmo.
Um abraço e bom caminho
P.S. deixo aqui um link para verem a linda etapa de hoje
caminho 2 - Pamplona Logroño
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quinta-feira, 14 de junho de 2012
COMEÇOU "EL CAMIÑO" 2012
Um ano depois volto a escrever neste espaço que conta histórias passadas em cima das minhas bicicletas. Mas importante é que conta histórias de emoções e de momentos passados com amigos.
A história de hoje é curta, tal qual o troço de terreno que percorremos.
Eu e o Pedro Carballo - Responsável Comercial de Hospitais em Barcelona, decidimos fazer hoje um dia mais curto com apenas 44 kms. Mas estes 44kms e o que nos proporcionam valem bem 100 kms em qualquer outro trilho.
Arrancamos de Roncesvalles e bastaram uns metros para me lembrar porque é que o caminho de Santiago não se compara com nada.
Ainda não tínhamos feito 1 kms e "We have already parlato en un par de langues fins i tot český"
É verdade já nos tínhamos cruzado com Americanos; Italianos; Catalães; Franceses; Checos, Neozelandeses.
Gente a pé, de bicicleta, gente rápida, gente lenta. Mas sempre com um sorriso e com uma palavra agradável para nos dizer à nossa passagem.
Já ouvimos histórias novas. Já contamos as nossas e claro que ninguém quer saber quanto pesam as nossas bicicletas. Aqui o termo de comparação é o peso da mochila.
Os trilhos continuam impressionantes. É verdade que é muito longe de casa, mas vale a pena vir aqui só para ver o que Navarra tem para oferecer. Quem conhece a descida para Zubiri sabe do que estou a falar. Mas isso pouco importa, o caminho é outro e leva-nos até Santiago.
Hoje montamos QG em Pamplona e amanhã temos mais do mesmo. Alegria em formato de histórias e trilhos.
Até já
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quarta-feira, 22 de junho de 2011
EOX 240 - A Surf Trip mais estranha do Mundo

Estimados
Chegou a hora de vos falar da Surf Trip mais estranha do Mundo.
E se não vejamos. Esta Surf Trip saiu do Porto com dois surfistas de ondas grandes, Ricardo Pereira (Nitro) e o Sílvio Silva (para os amigos Sílvio Silva), seguiu em direcção a Torres Vedras onde entraram mais 3 loucos por ondas épicas Nuno Machado e Bruno Espinha do TEAM MOVEFREE e o Renato Ventura - Um herói que gosta de ondas épicas mas mais curtas e a descer ou aos saltos. Ou melhor, gostava! Porque já prometeu que na próxima Surf Trip não vem de roupa larga, mas que vai vestir licra e capacete aberto.
Em Lisboa ainda entraram na "Ivone" (a nossa montada para estas surfadas) os dois Masters da Surf Trip. O Tiago Nuno Silva e o Rodrigo Machado. O facto de o Tiago ser Nuno e o Rodrigo ser Machado não tem nada a ver com o resultado que conseguiram. Ou se calhar tem tudo a ver. Estes dois são mesmo os gurus dos dias épicos, altamente Zen e sem stress. Típico que quem vive intensamente estas Surf Trips.
E só depois é que seguimos para o local mítico das Surf Trips. Um Secret Spot. Mas eu vou revelar. Fomos na "Ivone" até Serpa onde nos esperava mais um clássico "Sua Alteza Real o Rui Paiva Lima".
Chegados a Serpa foi só tempo para um faustoso jantar no "Alentejano" e correr para a Residencial "Serpínia" para dormir bem e depressa. Porque no Alentejo o Swell entra muito cedo como devem calcular não se pode fazer Surf em Serpa. Como tal ainda não eram 5h30m da manhã e já estávamos em Vila Verde de Ficalho. Sentados nas nossas pranchas aguardamos pacientemente pela chegada do melhor set da manhã. E eis que às 6h em ponto o Luís Silva da "Trilhos Vivos" nos informa que as melhores ondas do dia estão na praia da Zambujeira do Mar. Só tinhamos de seguir o trilho que ele nos deu e completar os 251 Kms entre Vila Verde de Ficalho e a Zambujeira.
Deu-nos ainda indicações importantes como o estado do vento e excelentes locais para reforçarmos a nossa condição de "Surfistas". Que nesse dia se iam chamar ZA - Zona de Abastecimento, onde pessoal muito boa onda ia estar à nossa espera para nos atender. Típico de Surf Brother. Decidimos todos que em vez de irmos de prancha devíamos era ir de Bicicleta de Todo o Terreno (vulgo BTT) até à Zambujeira. E assim foi às 6horas e aproveitando o set que entrava naquele momento os cerca de 70 amigos que estavam em Vila Verde de Ficalho partiram em busca de ondas melhores na Zambujeira do Mar.

Tudo à espera da primeira onda
Arrancamos com muita vontade de chegar cedo, queríamos surfar ainda de dia, e o ritmo que colocamos foi forte. O Tiago e o Rodrigo desapareceram logo e só teríamos noticias deles através do nosso esquema de informação montado nas ZA. O Renato teria a tarefa de colocar em todos os ZA o que nos iríamos necessitar ao longo do dia. E posso dizer-vos que fez um trabalho excelente. Tanto que já é conhecido como o "Master ZA", uma espécie de Kelly Slater das ZA's. Não falhou nenhuma em algumas delas conseguiu fazer tubos magistrais, além de beber umas imperiais.
No terreno e entre ZA's seguíamos todos juntos; Nuno; Bruno; Ricardo; Rui e Sílvio (de referir que o Sílvio tem uns óculos espectaculares para este tipo de swell. Que é um swell com muito pó.)

Nuno Machado e Bruno Espinha a tentar perceber o estado do vento
Antes da primeira ZA, a dos 63 Kms eu e o Bruno Espinha aproveitamos o facto de o vento estar contra ( vulgo "against wind") e aumentamos um pouco o passo. E nesta zona passavamos a pouco mais de 10 minutos do Tiago e do Rodrigo que seguiam no grupo da frente em direcção ao mar.
Lá fomos derivando entre cearas e campos com milhões de girassóis até chegarmos a SERPA.

Como se pode ver o campo estava mesmo "flat"
Voltamos ao terreno atravessamos mais umas quantas zonas de muita água e swell brutal, mas nunca nos distraíamos, o destino era a Zambujeira.
O Vento continuava "Against" e rapaidamente cruzamos o Guadiana. Desta vez pela ponte. E já quando seguíamos em direcção a Salvadas, ao KM 90 sou picado por uma abelha, bem por baixo da língua. (Acho que tão cedo não haverá fotos minhas de língua de fora). Com a paragem para me recompor e beber a primeira cola do dia. O Ricardo, o Silvio e o Rui voltam a "passar" a rebentação ficam de novo junto de nós no "outside" Alentejano.
E bastaram apenas mais 10 kms para perceber que sou alérgico ao veneno de abelha. Comecei por sentir duas picadas nas pernas, que pensei serem cãimbras, de seguida a língua e o lado esquerdo da cara ficaram dormentes, a pressão no olho esquerdo ficou insuportável e começaram os tremores nas pernas e nos braços e levar a LongBoard (StumpJumper HT 29'er) começou a ser penoso até ser impossível.
Abandonei os companheiros de SurfTrip e o Bruno Espinha fez questão de ficar comigo e avançarmos mais devagar para ver se a coisa se compunha. Obrigado Azul!!! Não deixaste o Bro' a morrer no meio da rebentação.
E que me lembre mesmo com a companhia do Espinha foram os 14 kms mais penosos que já fiz de bicicleta. Tive mesmo de desistir. Foi a primeira vez que desisti por problemas físicos. Confesso que deixa um amargo de boca. Mas não podia mesmo!

Sílvio Silva e Ricardo Pereira combinam como vão passar a rebentação
Liguei para o Luís Silva que se meteu com a "Ramona of the Beach" pelo trilho dentro e tal como um verdadeiro nadador salvador me veio socorrer para me levar para a ZA2 de onde passei a ser companhia do Renato no resto da Surf Trip. Obrigado Luís e obrigado Renato.
E obrigado a todos os que se preocuparam em parar para saber como é que eu estava. E de todos os que passaram não houve ninguém que não tivesse parado. Este é o verdadeiro espírito das Surf Trip.
Nos trilhos a luta por um bom "spot" para o melhor "drop" no "pico" da onda continuava e o Tiago e o Rodrigo continuavam na frente e ao km 130 decidiram atacar para seguirem sozinhos até ao final.
O Espinha colou de novo ao três estarolas e seguiu com eles até à ZA3, não sem antes pararem para mais umas minis a pedido do Rui Lima e para que este pudesse dormir um pouco à sombra de um café com a cabeça pousada na mesa.

Ricardo Pereira e Rui Lima antes de atacarem mais uma "sagres mini"
Quando chegamos à ZA3, ficamos na conversa com o Paulo da Tangerina que prestava apoio a todas as bikes sem excepção para que pudessem passar os sets que avizinhavam, e que eram de facto os maiores do dia. O Sérgio Pinho ao chegar a esta ZA informo-nos que o Rui tinha dado uma de local e decidiu dormir a sesta.

Nuno Machado e Renato Ventura discutem o melhor spot perto das batatas fritas da ZA3
Enquanto aqui estávamos ficámos a saber que ao km 208 o Tiago e o Rodrigo já ganhavam 22 minutos à dupla que seguia em segundo lugar.
Nesta ZA e depois da chegada do Bruno, Ricardo, Rui e Sílvio, o Rui decidia que era um bom momento para parar e encontrar melhor swell no banco de trás da "Ivone". Lá arrancamos de novo pelas estradas alentejanas na companhia do Nuno Jales que se juntava na carrinha dos que já não conseguiam remar mais para passar a rebentação.
Nova paragem em Santa Clara a Velha para a ultima ZA desta vez ao Km 211, o Espinha, o Sílvio e o Ricardo passavam bem e com a sensação que o melhor set estava cada vez mais perto. Já só faltava passar por cima de mais umas quantas ondas e depois remar até ao final na Zambujeira para o merecido tubo.
Na ZA de Santa Clara a animação e boa disposição do Staff continuava, e os atletas iam seguindo cada um da melhor forma que podia. Até ao final de mais esta prova de superação.
Nós arrancamos também para o nosso ultimo troço antes de ver o mar, com o Renato a tomar conta do leme seguimos para o momento do dia. A chegada à Zambujeira do Mar.
O Tiago e o Rodrigo já tinham chegado e tinham vencido esta duríssima prova, demoraram cerca de 11 horas para completar os 251 kms de prova.

Rodrigo Machado e Tiago Silva erguem o troféu do EOX240 que é igual a ser o Wave Master
E pouco passava das 20h20 minutos quando chegavam os outros parceiros de Surf Trip. Ao fim de 14h e 20 m o Bruno, o Ricardo e o Sílvio cortavam a linha de chegada e percebiam que o Swell da Zambujeira já estava baixo e que não havia condições para

Bruno Espinha e Sílvio Silva explicam como tinham aproveitado o set para chegar mais cedo.
Empacotamos as bicicletas e dentro da "Ivone" voltamos para Lisboa para deixar o Tiago e o Rodrigo e fazermos uma jantarada no McDonalds da 2ª Circular. Depois seguir para Torres onde fechamos a "Ivone" às 4 da manhã. Era hora de descansar e de sonhar com o swell perfeito do Dia seguinte.
Para muitos esta é de facto a Surf Trip mais estranha do Mundo, mas para mim foi uma:
BIKE TRIP DO TAMANHO DO MUNDO.
Obrigado a todos os que estiveram no EOX240 a organizar ou a participar porque sem eles este relato era impossível.
Um abraço e pedalem muito.
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